quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Geek dos Museus #1

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A visita aos Museus é normalmente algo que ou se adora ou é uma seca. Passar horas fechado num mesmo espaço a olhar para obras com dezenas ou centenas de anos, de alguém que não conhecemos ou que, na maioria das vezes, já nem sequer está vivo, parece realmente uma ideia bizarra. Mas quem já passou por um dos grandes Museus da Europa - Louvre, Prado, British Museum, Galeria Uffizi, Museu do Vaticano, etc - percebe o porquê de existirem e o porquê de despertarem o interesse e a atenção de tantos visitantes.

 Hoje vou concentrar-me apenas nos 3 primeiros que enunciei e guardar uns quantos para outro dia.

Museu do Louvre
É definitivamente um dos museus mais impressionantes onde já estive, não só pela entrada triunfal marcada por uma grandiosa pirâmide de vidro de 21 metros, como pela dimensão do próprio museu. A tentação quando se entra na galeria é correr em busca dessa célebre obra que é a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Recomendo calma...até porque é provável que saia de lá com alguma desilusão sobre este assunto.

Pirâmide da Entrada

O Louvre reúne obras de Pintura e escultura francesa, antiguidades Egípcias, gregas e Orientais, pintura e escultura italiana, pintura holandesa e muito mais. Nomes como Donatello, Miguel Ângelo e Rembrant fazem parte da lista de vips que povoam este espaço. O Museu inclui obras reconhecidas como a Vénus de Milo, a Mona Lisa (que by the way é minúscula e não fosse o aparato à sua volta arriscava a que nem se desse por ela), o Escravo, a Liberdade liderando o povo, entre muitas, muitas outras que merecem alguma admiração, mais não seja porque no fim nos sentimos (ligeiramente) mais cultos.

Mona Lisa

Vénus de Milo

Recomendo planear o percurso dentro do museu, passando pelos cafés para comer qualquer coisa e descansar os pés. Percorrer o Louvre é uma grande aventura que pode demorar um dia inteiro ou mais, dependendo do grau de envolvimento e a forma como estamos dispostos a aprofundar o contato com as obras-primas.

Uma coisa é certa, todo o tempo lá passado não é muito e não será, certamente, dado como perdido. Antes de terminar a visita existe mais uma obra que não passa despercebida...a pirâmide invertida, também em vidro, que assinala a saída do Museu para a Galeria Comercial do Carrousel du Louvre.


Pirâmide invertida
Carrousel du Louvre

British Museum
Aqui está mais um museu digno de figurar entre os melhores do mundo. Além de ser o mais antigo e incluir tesouros de todos os cantos da terra, possui mais de 6 milhões de peças que abrangem mais de 1,8 milhões de anos de civilização, desde a pré-história até hoje, passando pelo Egito, Grécia, Roma, Japão e Médio Oriente. E melhor ainda...a entrada é gratuita. 


British Museum

Agora aqui vão algumas curiosidades. O museu inclui peças tão raras e únicas como o Kwakwaka'wakw (e não, não desatei a escrever letra de olhos fechados), uma ave norte-americana de grande porte que servia de bigorna para partir moedas de cobre durante as cerimónia tribais de destruição de bens terrenos, o Carneiro numa Moita (parece que estou a brincar certo?), um ornamento trazido de Ur na Suméria, e um Gato Mumificado (quem mumifica um gato?!) do antigo Egito são algumas das peças mais bizarras que podem ser encontradas no Museu.


Carneiro numa Moita

Gato Mumificado

Para os mais clássicos existem múmias e sarcófagos para todos os gostos, esculturas do Pártenon, antiguidades chinesas, peças de povos indígenas de todo o mundo, moedas e medalhas, gravuras e desenhos, e muito, muito mais. Recomendo ainda que levantem o pescoço para cima quando atravessarem o Great Court, uma cobertura de vidro que abarca o centro do Museu. É uma vista impressionante.


Pártenom

Múmia (em descanso eterno)

Great Court


Museu do Prado
O Museu Nacional do Prado é outro dos maiores museus do mundo e alberga inúmeras e valiosíssimas colecções, em especial a de pintura espanhola que inclui nomes como Goya e Velázquez. Outros nomes como Rembrandt, Botticelli, Tintoretto, Rubens são outros dos muitos nomes que enchem as salas deste museu.  


Museu do Prado

Um dos quadros mais famosos é provavelmente "As Meninas" de Velázquez mas o quadro que mais me impressiona é "Saturno devorando o seu filho" de Goya. É uma obra assustadora e impressionante ao mesmo tempo. O homem era verdadeiramente atormentado e esta obra comprova-o.   


"As Meninas" de Velázquez

"Saturno devorando o seu filho"
Goya

Mais uma vez o tempo da visita depende do interesse mas garanto que a impressionante coleção das obras de Goya, um génio espanhol cujas obras, em especial no final da sua vida, mostram a sua rebeldia (as Majas são um dos exemplos) e retratam a degradação da sua saúde física e mental.


Maja Nua

Maja Vestida


Esta viagem ainda agora começou. Existem tantos outros grandes museus que aqui merecem o seu lugar, uns pelas obras que guardam, outros pela história que contam do mundo, outros apenas porque são espetaculares. Todos guardam tesouros que devem ser descobertos porque cada pequeno pedaço destes espaços encerra uma mística e uma vontade de saber mais que nos transporta para outro universo.

Percebe-se que sou uma geek dos museus. É verdade, não nego. Gosto de me perder nas histórias encerradas nas obras, em especial nos quadros, de perceber o que ia na cabeça dos artistas quando criaram as peças, o que queriam transmitir, que terror, medo angústia, felicidade, alegria que queriam partilhar com o mundo.

Até a enigmática Mona Lisa tem uma história para contar e o fascínio dos museus está em descobrir todas essas histórias e torná-las nossas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Viagem ao deserto

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 Uma das mais entusiasmantes viagens que já fiz foi o percurso na Tunísia de Hammamet até Douz, cidade que assinala a entrada no Deserto do Sahara. Foram 8 dolorosas horas de autocarro para descobrir um mundo que parece que está parado no tempo. Ao descer vamos percebendo a mudança gradual na paisagem, cada vez mais árida.




A primeira paragem foi em El Jem, uma pequena aldeia que tem um dos grandes tesouros da antiguidade, o Coliseu de Thysdrus, o terceiro maior construído pelos romanos e, segundo o guia, um dos mais bem preservados do mundo. Assim que saímos do autocarro fomos confrontados com um bafo que não deixava dúvidas ... estávamos na Tunísia. Ao contrário do Coliseu de Roma, aqui pudemos visitar os subterrâneos onde anteriormente animais e homens aguardavam para entrar na arena. Estes túneis eram também o local mais fresco para descansar do abrasador calor tunisino (dava certamente para fazer um ovo mexido numa pedra).

Coliseu de Thysdrus

O Fresco ao Fundo do Túnel

Já na entrada do deserto, em Matmata, tomamos contato com uma paisagem tão árida, tão selvagem que parecia que estávamos noutro planeta. Foi também aqui que visitamos as inacreditáveis habitações dos trogloditas, povos do deserto que vivem em habitações escavadas na rocha. São verdadeiras obras de engenharia (digo eu que fiz o curso pela farinha Amparo) pela forma como são "construídas" mantendo amenas as temperaturas no seu interior. Os trogloditas, que vivem nestas habitações, receberam-nos como amigos, dando a conhecer a casa, os seus animais, as suas tradições e os seus alimentos (chá e pão).

Matmata

Casa Troglodita

Ninguém diria que foi escavada na rocha

Prosseguindo a viagem (nesta fase já não podia com o autocarro) chegamos finalmente a um oásis, em Douz nas portas do Sahara, onde nos aguardava um deliciosa piscina antes da última e maior aventura do dia...andar de camelo. Sentíamos o deserto ali mesmo ao lado, as suas dunas a mudar com o vento, mas ainda não o tínhamos visto.

Hotel Sahara Douz

A aventura de camelo foi ... indescritível! Primeiro pelo cómico da situação (porque temos que nos vestir como uns verdadeiros beduínos) e depois porque subir para um camelo é das coisas mais cómicas que já fiz na vida. Verdade!! O bicho tem uma paciência para os turistas como nunca vi. Só sei que ri tanto que até já me doía o maxilar, mas lá montamos (o truque é fincar as pernas e agarrarmo-nos ao bicho como se a nossa vida depende-se disso) e arrancámos em direção ao pôr-do-sol. 


Deserto em Souz

 Foi uma experiência única, o vento, a areia (que se mete por todo o lado), as dunas (pequeninas sim, só para turista ver), o pôr-do-sol ...tudo se une para nos proporcionar momentos inesquecíveis só comparáveis com o nascer do dia nos lagos de sal do Sahara. Foi por aqui que no dia seguinte começamos a nossa aventura de regresso a Hammamet. Valeu bem a pena as 3 horas de sono que tivemos (acordamos às 4h para partir em direção ao sol nascente).


Nascer do Sol nos Lagos de Sal

Lagos de Sal

Sem Comentários

Daqui seguimos, de 4x4 (um chasso desconfortável e duro), para os Oásis de montanha de Tamerza e Chebika de onde guardo, deste último, 2 imagens: a pequena nascente de água que alimentava todo aquele pedaço luxuriante de terra e a imensidão desértica que rodeava todo o oásis. É uma paisagem que marca, pelo impacto de saber que nada ali sobrevive por muito tempo e que aqueles homens e mulheres ali vivem à centenas de anos.


Nascente do Oásis de Chebika

Vista do Oásis de Chebika

Outra memória que trago de Chebika é que este oásis já esteve debaixo do mar (parece impossível certo?) mas as provas lá estavam, uma rocha com fosseis só possíveis de encontrar debaixo do mar. Como é que noutros tempos o mar cobriu esta zona inóspita do mundo é a pergunta que nos fica na cabeça. Na verdade esta é apenas uma das muitas questões que nos surgem quando percorremos este oásis cuja vida, cultura e gentes e tradições se mantem intocáveis.


Pedra com fosseis do fundo do mar

A viagem prosseguiu daqui para Hammamet, vagarosa e sonolenta, ao som do ar condicionado do autocarro e com todas as imagens de 2 dias onde entramos num universo cheio de contrastes: desertos e montanhas rochosas, a cor da areia (a perder de vista) e as roupas coloridas dos povos do deserto, paisagens selvagens com pequenos oásis de calma e cheios de vida.

Seguimos agora em direção à ultima paragem, a terceira maior cidade da Tunísia, Susse, onde não nos deixaram colocar os pés na mesquita (era hora da oração e a hora da oração é sagrada). Em Susse vimos pela ,primeira vez, Zine El Abidine Ben Ali, conhecido apenas por Ben Ali. Este senhor era o carismático líder (leia-se ditador) tunisino e goza agora umas merecidas férias na Arábia Saudita, depois de ter sido finalmente deposto em Janeiro do ano passado. Nunca ouvi ninguém dizer mal do senhor mas o que diziam soava a falso (porque seria?).


Mesquita de Sousse

Zine El Abidine Ben Ali

 A Tunísia não foi, definitivamente, um país pelo qual me apaixonei à primeira vista (talvez pelo calor e pela "simpatia" das suas gentes) mas as suas paisagens únicas, as águas quentes (e quando digo quentes é quentes, mesmo quentes) e límpidas, as praias de areias finas (algumas com caca de camelo), as mesquitas, as medinas, onde rapidamente aprendemos a regatear até aquilo que não nos interessa, conquistam-nos e rapidamente nos envolve.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

#10 Coisas que fazem Itália única

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1 # Uma sofisticada Galeria Comercial que mais parece um monumento histórico. De destacar a cobertura de metal e vidro e a magnifica cúpula Central que nos põe a olhar para o ar até fazer doer o pescoço.

Uma dica: olhar para o chão atentamente e procurar os "tintins" do Touro...diz que dá sorte dar-lhes uma pisadela.


Galleria Vittorio Emanuele II
Cúpula da Galleria Vittorio Emanuele II

2 # Veneza, porque é verdadeiramente única por si só (aqui está algo nunca antes dito desta cidade), porque toda ela está construída sobre bancos de areia, porque tem um dos mais belos edifícios de Itália (Basílica de San Marco) e porque tem uma das ruas mais pitorescas e animadas do Mundo - o Grande Canal.


Grande Canal com Gôndolas

Ponte de Rialto

3 # Monumentos grandiosos como o Duomo em Florença, que domina todo o centro da cidade, o Palazzo Pitti também em Florença, cuja construção levou a família Pitti à falência, o monumento Vittorio Emmanuel II ou o Coliseu em Roma, o Castello Sforzesco em Milão, entre muitos, muitos outros.


Duomo Santa Maria del Fiore
Florença

Coliseu de Roma
lotação 55.000 pessoas

4 # Algumas das Igrejas mais grandiosas do Mundo seja em dimensão, decoração, história, estilo arquitetónico, vitrais, frescos, esculturas, etc.


Duomo Gótico de Milão
Um dos maiores templos
góticos do mundo

Santa Maria della Salute
Igreja barroca de Veneza
5 # Boa comida. Bons risotos, boas pastas, boas pizzas, bons gellatos, bom vinho. Enfim...é povo que se trata bem.


Ristorante Paoli
Florença
6 # O Vaticano e as suas particulares particularidades. É o país mais pequeno do mundo mas possuiu um dos maiores patrimónios artísticos e culturais (já para não falar da opulência de tudo o que rodeia este micro-país).

O teto da Capela Sistina
pintado por Miguel Ângelo

Guarda Suíça cujo fato foi também
desenhado por Miguel Ângelo
(claramente em dia não)

7 # A Torre de Pisa e a pergunta que se impõe "Como é que aquilo não cai, como?" Construída em subsolo arenoso, a Torre começou a inclinar-se antes mesmo de estar concluída (!!) e ainda lhe colocaram os sinos para aumentar a pressão. Ainda bem que o fizeram e ainda bem que não deixaram a obra a meio quando começou a inclinar para que nos possamos deliciar a olhar para ela. Já para não falar de tirarmos a bela foto com o típico enquadramento de "empurrar" a torre.

Continua a desafiar
orgulhosamente
as leis da gravidade
8 # A Fontana di Trevi porque não me canso de admirar a sua grandiosidade e exuberância.

Não esquecer de deitar a moedinha
por cima do ombro para garantir o regresso a Roma

9 # Um ambiente positivo, luminoso, descontraído e bem disposto.


Parco Sampione
Milão

10 # Homens nus por todo o lado!!! O David (ou Davides) do Miguel Ângelo, o David de Donatello, o Baco de Miguel Ângelo, o Perseu de Cellini, o Nettuno de Ammannati, and so on, and so on. Tudo isto só em Florença...são fantásticas obras de arte que contam a história deste grandioso país e que merecem a nossa total atenção.


David de Miguel Ângelo
uma das 3 esculturas existentes
Florença

More Than Grey

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O que difere nestas duas imagens? Ok, o local não é bem o mesmo, mas é a mesma cidade e o mesmo mês do ano (Dezembro). A grande diferença é ...o ano em que a foto foi tirada. Londres é definitivamente uma caixinha de surpresas. Num ano apanhamos o maior nevão dos últimos 18 anos e no ano seguinte um dia de sol e céu azul e...12 graus.

Notting Hill




Londres tem definitivamente uma magia e um carisma únicos (até se dá ao luxo de brincar com o tempo). Se quando nevou a cidade entrou num caos sem precedentes, no dia de sol primaveril em pleno mês de Dezembro engalanou-se e saiu à rua com todas as suas cores. Nos parques viam-se pessoas a aproveitar o dia (apesar de ser dia de semana) e até os animaizinhos estavam com um ar absolutamente feliz. 


Green Park

Green Park
A ideia de que Londres é cinzenta porque chove durante todo o ano até pode ser verdadeira mas, com uma pitada de sorte, consegue-se descobrir em Londres outras cores para além do cinza...o branco gelado da neve, o azul resplandecente do céu, os verdes e castanhos do Outono, os vermelhos dos autocarros, das cabines telefónicas e das fardas militares, as cores vibrantes dos painéis de Trafagal Square, as cores das centenas de lojas que animam Oxford Street, o negro dos corvos que se encontram por toda a cidade, os azuis e rosas das casas e lojas de Notting Hill.

Picadilly Circus

Green Park

Camden Town é outro exemplo de como Londres é tudo menos cinzenta. Lojas com decorações absolutamente arrebatadoras que nos obrigam a andar de pescoço para o ar, os mercados que vendem o mais variado tipo de produtos, os barcos que atravessam o canal, os "restaurantes" que se encontram por todo o lado e que enchem o ar de aromas (muitas vezes não muito apetitosos) e fumo. 

Camden Town

Camden Town

É só estar de olhos abertos e, mesmo num dia de chuva, pode-se encontrar cor por todo o lado, até porque o cinzento também é uma cor da moda, ou não?